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Autoestima e imagem de si: o que a psicanálise escuta

Foto do escritor: claudiamourafreire
claudiamourafreire
11 de jun.
3 min de leitura
Pessoa observando o próprio reflexo em um espelho, em imagem em preto e branco, representando autoimagem, identidade e reflexão sobre si mesma.
Como cada pessoa aprende a olhar para si mesma? A imagem que construímos de nós não surge pronta: ela é formada ao longo das relações, experiências e histórias que carregamos.

A dificuldade em gostar de si mesmo é uma das queixas mais frequentes nos

atendimentos clínicos. Muitas pessoas convivem com autocrítica intensa, sensação constante de inadequação, necessidade de aprovação ou dificuldade de reconhecer o próprio valor, mesmo quando são admiradas por outras pessoas.


No senso comum, a autoestima costuma ser tratada como algo simples: bastaria “pensar positivo” ou aprender a se valorizar mais. A psicanálise, porém, propõe uma compreensão mais profunda. A forma como cada pessoa se percebe não nasce pronta nem depende apenas da vontade consciente. Ela é construída ao longo da história subjetiva, das relações afetivas e das experiências emocionais.

Para além de perguntar “como melhorar a autoestima?”, a escuta psicanalítica busca compreender como essa imagem de si foi formada.


Aqui, um ponto importante é que, desde a infância, o sujeito se constitui na relação com o outro. O olhar, o cuidado, as expectativas e até as ausências deixam marcas importantes na maneira como alguém passa a se perceber.

Na teoria psicanalítica, especialmente a partir de Freud e posteriormente de Lacan, compreende-se que a imagem de si não é totalmente estável ou objetiva. Muitas vezes, ela é atravessada por comparações, idealizações e exigências internas difíceis de sustentar.


Algumas pessoas desenvolvem a sensação de que precisam corresponder o tempo inteiro às expectativas externas. Outras sentem que nunca são suficientemente boas, mesmo quando há reconhecimento vindo de fora. Em certos casos, a autocrítica se torna tão intensa que qualquer falha é vivida como confirmação de incapacidade. A questão não está apenas no valor real da pessoa, mas na forma como ela aprendeu, subjetivamente, a ocupar um lugar diante do desejo e do olhar do outro.


Narcisismo: o investimento na própria imagem

Na psicanálise, o conceito de narcisismo não se refere apenas à vaidade ou ao excesso de amor-próprio, como costuma aparecer no uso cotidiano da palavra. Freud descreve o narcisismo como parte fundamental da constituição psíquica. Desde cedo, o sujeito investe afetivamente em sua própria imagem, buscando reconhecimento, pertencimento e valor.


Ao longo da vida, esse investimento pode se tornar fragilizado por diferentes experiências: críticas excessivas, relações marcadas por rejeição, abandono emocional, comparações constantes ou dificuldade de reconhecimento afetivo. Em muitos casos, a baixa autoestima não aparece apenas como tristeza, mas também como:


  • necessidade intensa de aprovação;

  • medo constante de rejeição;

  • dificuldade de estabelecer limites;

  • perfeccionismo excessivo;

  • sensação persistente de insuficiência.


A pessoa passa a viver em permanente vigilância sobre si mesma, tentando evitar erros ou inadequações. E esse contexto de vigilância permanente é potencializado atualmente pela exposição constante nas redes sociais, a lógica de desempenho e a comparação permanente intensificam sentimentos de inadequação.


Existe uma pressão contínua para demonstrar sucesso, produtividade, felicidade e controle emocional. Muitas pessoas passam a sentir que precisam construir uma imagem idealizada de si mesmas para serem aceitas ou valorizadas.


Quando essa imagem não se sustenta, surgem sofrimento, vergonha e sensação de fracasso. A psicanálise não trabalha com a ideia de alcançar uma “autoconfiança perfeita”. O objetivo não é produzir uma versão ideal de si, mas permitir que o sujeito construa uma relação menos punitiva consigo mesmo.


O lugar da psicanálise clínica

Na clínica psicanalítica, o sofrimento ligado à autoestima não é tratado apenas como falta de confiança. O trabalho busca compreender:


  • como essa imagem de si foi construída;

  • quais experiências marcaram essa relação consigo mesmo;

  • quais exigências internas sustentam o sofrimento;

  • e por que determinadas formas de autocrítica se repetem.


Ao longo do processo analítico, a pessoa pode reconhecer padrões emocionais, elaborar experiências antigas e construir formas menos rígidas de se relacionar consigo mesma. Esse percurso não acontece por meio de respostas prontas ou fórmulas motivacionais, mas pela possibilidade de falar, elaborar e atribuir novos sentidos à própria história.


Considerações finais

A dificuldade em gostar de si mesmo não deve ser reduzida a fraqueza ou falta de esforço pessoal. Muitas vezes, ela está ligada à forma como o sujeito foi constituindo sua imagem ao longo da vida e das relações. A psicanálise oferece um espaço de escuta onde essas questões podem ser compreendidas com profundidade, respeitando a singularidade de cada trajetória.


Sou Claudia Moura, psicanalista clínica em Vitória - ES, com atendimento online e presencial na Enseada do Suá para adolescentes e adultos. Minha prática é orientada pela ética, pelo sigilo e pelo respeito ao tempo singular de cada analisando.


Caso deseje iniciar esse processo ou esclarecer dúvidas sobre o atendimento, estou à disposição para orientar.

Agende a sua sessão pelo WhatsApp: (27) 98811-0637.


Referências

FREUD, Sigmund. Introdução ao narcisismo. 

FREUD, Sigmund. O ego e o id. 

LACAN, Jacques. O estádio do espelho como formador da função do eu. 

KEHL, Maria Rita. O tempo e o cão: a atualidade das depressões.


 
 
 

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